Amazon aposta bilhões para recriar a Terra-Média e disputar o trono da fantasia na era do streaming
Seis anos atrás, quando Game of Thrones dominava a televisão e o imaginário global, Jeff Bezos fez um pedido claro à equipe da Amazon Studios: queria um fenômeno do mesmo porte. Em pouco tempo, a...
Seis anos atrás, quando Game of Thrones dominava a televisão e o imaginário global, Jeff Bezos fez um pedido claro à equipe da Amazon Studios: queria um fenômeno do mesmo porte. Em pouco tempo, a oportunidade perfeita apareceu. Os direitos televisivos de O Senhor dos Anéis estavam à venda, e o bilionário, fã confesso da obra de J.R.R. Tolkien, enviou uma carta direta aos herdeiros do autor, prometendo tratar o universo da Terra-Média com o mesmo respeito com que o próprio Tolkien o criou.
Um projeto de proporções épicas: Na quinta-feira em que O Senhor dos Anéis: Os Anéis de Poder chegou ao Prime Video, a Amazon já havia gasto mais de US$ 700 milhões, somando direitos e produção da primeira temporada. O investimento faz da série a mais cara da história, e também uma das mais arriscadas. Jennifer Salke, chefe do estúdio, resume o espírito da empreitada:
- “Não era um projeto para os fracos. Sabíamos que seria um desafio colossal, mas também uma oportunidade única de elevar a Amazon a outro patamar”, disse.
O desafio da herança: Para garantir autenticidade, a produção contou com a consultoria de Simon Tolkien, neto do escritor e romancista britânico. A equipe de showrunners J.D. Payne e Patrick McKay trabalhou ao lado de Simon e da produtora Lindsey Weber para preservar o tom poético e mítico do universo original. “Formamos nossa própria comunidade do anel”, brincou Vernon Sanders, chefe de TV da Amazon Studios.
Mais do que entretenimento: O investimento não é apenas artístico. Com Os Anéis de Poder, a Amazon busca firmar-se como potência de Hollywood, ao lado de conglomerados tradicionais. A empresa já havia comprado o estúdio MGM por US$ 8,5 bilhões e expandido seus braços no entretenimento, do streaming gratuito Freevee às transmissões da NFL.
- “Queríamos algo que posicionasse o Prime Video no mesmo mapa dos gigantes”, explica um executivo envolvido no projeto.
Um legado cinematográfico difícil de igualar: Filmada na Nova Zelândia, a série herdou a expertise técnica deixada pelas trilogias de Peter Jackson, embora o diretor não tenha se envolvido com a produção.
- Segundo a Amazon, o contrato com os herdeiros de Tolkien exigia que o projeto fosse totalmente independente dos filmes. “Temos o maior respeito por Peter Jackson”, afirmou o estúdio em nota.
O peso da expectativa: Os Anéis de Poder não precisava apenas impressionar os fãs de Tolkien, mas também satisfazer Bezos e conquistar um público novo em escala global. A série nasce com a missão de ser o símbolo máximo da ambição da Amazon: transformar o streaming em um império de fantasia, com o mesmo alcance, e talvez o mesmo legado, dos anéis que inspiraram sua criação.


