Depois de 16 anos sem lançar um longa-metragem no Brasil, Walter Salles retorna com Ainda Estou Aqui, um filme devastador que revisita um dos períodos mais sombrios da história brasileira: a ditadura militar. Baseado no livro de Marcelo Rubens Paiva, o filme acompanha Eunice Paiva (Fernanda Torres) na luta para manter a família unida após o desaparecimento de seu marido, o ex-congressista Rubens Paiva (Selton Mello), preso pelo regime em 1971. Em um drama de resistência e memória, a produção se destaca pelo tom íntimo e pela presença marcante de Fernanda Montenegro, que surge no desfecho da história em um papel emocionante.

O que funciona?

✅ Atuação impecável de Fernanda Torres, transmitindo força e sofrimento com sutileza.

✅ Participação emocionante de Fernanda Montenegro, que adiciona camadas de significado à narrativa.

✅ Direção sensível de Walter Salles, criando uma atmosfera de intimidade e dor contida.

✅ Fotografia belíssima de Adrian Teijido, com uso de 35mm para resgatar a estética dos anos 70.

✅ Trilha sonora envolvente de Warren Ellis, que acentua a carga emocional da história.

✅ Retrato poderoso da resistência feminina e da luta por memória e justiça no Brasil.

O que não funciona?

❌ O ritmo pode parecer lento para quem espera um drama mais convencional.

❌ Algumas passagens poderiam ser mais diretas, evitando prolongar certas cenas.

Veredito Final

Ainda Estou Aqui é um filme profundo, doloroso e necessário, resgatando uma parte crucial da história brasileira por meio da trajetória de uma mulher resiliente. Walter Salles entrega uma obra sensível e emocionante, que deve ser vista não apenas pelo seu valor cinematográfico, mas também pela importância histórica. Para quem gosta de dramas políticos e histórias humanas intensas, é um prato cheio.