Maranhense usa fogo para desenhar em madeira e encanta geeks em São Luís
No final de 2019, aos 16 anos, a maranhense Karla Cabral descobriu seu caminho na arte de forma inesperada: através de um instrumento que queima madeira. Foi o início de uma jornada criativa com a...
No final de 2019, aos 16 anos, a maranhense Karla Cabral descobriu seu caminho na arte de forma inesperada: através de um instrumento que queima madeira. Foi o início de uma jornada criativa com a pirografia, técnica artesanal que utiliza calor para desenhar na madeira.
Na época, seu pai havia começado a trabalhar com marcenaria e participava da tradicional Feirinha São Luís, vendendo adegas de vinho. Durante uma dessas feiras, um amigo da família, também tatuador, apresentou o pirógrafo, um aparelho simples, sem controle de temperatura, mas repleto de possibilidades artísticas. A proposta do pai foi direta: “Por que você não tenta fazer alguns quadros pirografados? Eu corto as peças de madeira e você faz os desenhos.”
Inicialmente, Karla Cabral não via a pirografia como algo sério. Produzia quadros com frases simples, sem grande entusiasmo. Tudo mudou quando decidiu unir seu gosto pessoal ao ofício: passou a retratar personagens de anime. O resultado foi imediato, uma conexão com o público geek de São Luís que ela não imaginava existir.
“Sempre fui muito ligada ao universo geek, fã de animes, e decidi arriscar. Comecei a fazer quadros com personagens de anime. E, para minha surpresa, deu muito certo”, conta.
A partir daquele momento, Karla entendeu que transformar seus desenhos em arte na madeira era mais que um passatempo. Era sua vocação.
Atualmente, Karla Cabral domina por completo o processo de criação de suas obras em pirografia. Desde a seleção cuidadosa da madeira até o último traço do pirógrafo, cada etapa é realizada com atenção e carinho.
“Quando estou desenhando, fico completamente imersa. É como se cada quadro fosse único. Sei que ele vai fazer parte da casa e da memória de alguém. E isso, pra mim, não tem preço”, revela.
Essa dedicação reflete não apenas sua habilidade técnica, mas também a conexão emocional que estabelece com cada peça, transformando a pirografia em uma verdadeira extensão de sua identidade artística.
Seu trabalho, que começou de forma tímida em uma feira local, hoje já cruzou fronteiras. Quadros vendidos para turistas chegaram a outros estados e até a outros países. Mas ela quer ir além. “Daqui a alguns anos, me vejo evoluindo ainda mais na técnica e na criatividade. A madeira tem infinitas possibilidades. Quero estar em eventos maiores, fora do estado, e levar minha arte a cada vez mais pessoas.”
E, para quem a acompanha desde o início, há um agradecimento especial. “Quero agradecer especialmente ao meu pai, Edson Cabral, que me acompanha e me motiva desde o começo, e me mostrou esse mundo da pirografia. Também sou muito grata a toda a minha família pelo apoio constante ao meu trabalho, sem eles, nada disso seria possível.”
O fogo do pirógrafo talvez tenha sido o ponto de partida, mas é a paixão pela arte e a vontade de se conectar com o público que mantêm viva a chama dessa jovem artista ludovicense.







