Opinião: nova IA do Google reacende pânico moral no cinema
Lá no fim dos anos 1920, o cinema mudou pra sempre com a chegada do som sincronizado. Agora, parece que a gente está vivendo essa revolução de novo, só que com o fenômeno da inteligência artificial....
Lá no fim dos anos 1920, o cinema mudou pra sempre com a chegada do som sincronizado. Agora, parece que a gente está vivendo essa revolução de novo, só que com o fenômeno da inteligência artificial. O Google lançou o Veo 3, uma ferramenta que cria vídeos com som, efeito sonoro, ruído de fundo e até diálogo. Tudo gerado por IA. É surreal.
Muita gente ainda trata como se fosse só mais uma modinha da tecnologia. Mas não é. Isso aqui vai virar o jogo. E, como falei num dos meus podcasts, o cinema vive um “surto moral” sempre que a base da produção muda. Foi assim lá no começo de Hollywood e está sendo assim agora. Ouça aqui o episódio sobre como Hollywood já sobreviveu a outras revoluções.
Se os anos 1920 tiveram os “talkies”, agora temos os “techies”
Já tem vídeo de IA pipocando no feed de todo mundo. Aos poucos, eles estão começando a parecer cada vez mais reais. Lembra daquele meme tosco do “Will Smith comendo espaguete”? Pois é. Hoje, o nível de realismo é outro. A galera que ria antes agora está só observando, assustada.
E, como sempre, isso gera reações extremas: gente surtando achando que é o fim da arte, e gente eufórica achando que tudo vai melhorar. Já comentei algo sobre esse “pânico” no episódio sobre a Marvel. E também no episódio sobre a DC.
Toda nova tecnologia causa surto moral
É cíclico. Toda vez que uma tecnologia nova aparece, a sociedade surta. A invenção da escrita, da fotografia, do rádio, da TV… E agora, é claro, os vídeos de IA. A diferença é que agora a coisa tá rápida demais e a gente não tem tido tempo pra digerir.
Mas do ponto de vista de mercado, é fácil entender por que essa tecnologia vai pegar: fazer vídeo com IA é barato e acessível. Por menos de 300 dólares por mês, tu já consegue criar coisas que antes só Hollywood dava conta.
E quando liberar mais de oito segundos por take? Aí segura
Hoje, o Veo 3 limita a duração a oito segundos. Mas é questão de tempo até isso aumentar. E quando aumentar, criador nenhum vai mais depender de câmera, locação ou equipe técnica. Vai ser tudo gerado.
O roteirista do futuro é um engenheiro de prompt
No fim das contas, vai continuar existindo arte. Mas ela vai ser diferente. Vai ter que ter texto, ideia e… código. O criador do futuro vai ter que escrever história e saber lidar com máquina.
E sinceramente? Temos que estar pronto para o caos criativo. Porque, no fim, tudo muda, mas a gente sempre dá um jeito de contar histórias. Estou sendo otimista demais?


