saudade não é cinza
e não é branca
e nem algum pastel.
não é opaca
ou insossa
e nem doce, feito mel.
já viu saudade assim
sem gosto, desbotada
quase que apagada?
saudade essa
de todo dia
tem cor, gosto e tem nome:
é saudade que é quente
da pele molhada
e cheiro de gente – da gente.
salgada do mar
da testa suada
e do cuxá com vatapá.
saudade cor de junho
– o mês das cor tudo –
que festeja até sair o dia.
de todos os santos
– nossa cria –
pra mais de deus.
saudade que não é minha
e nem sua
mas sentimos junto, tu e eu,
todos sons cantados
pela gente no bater
da matraca e do pandeirão.
é ela coisa que se sente
bem no fundo peito:
mas que saudade, São João!
