A disputa entre Tyra Banks e a Netflix ganhou um novo capítulo. A plataforma pediu à Justiça que rejeite o processo por difamação aberto pela apresentadora em junho por causa do documentário Reality Check: Inside America’s Next Top Model. Tyra afirma que entrevistas concedidas para a produção foram editadas de uma forma que mudou o sentido de suas declarações sobre o reality que ela criou, apresentou e produziu durante anos.

Entenda a acusação: O documentário revisita a história e as polêmicas de America’s Next Top Model, reality que revelou modelos e se tornou um fenômeno da televisão. Tyra participou da produção dando entrevistas, mas depois acusou o documentário de apresentar suas declarações de maneira distorcida.

O que diz a Netflix: Segundo a Variety, a plataforma argumenta que estar insatisfeita com a edição final não é suficiente para caracterizar difamação. Para a empresa, selecionar trechos, retirar partes de entrevistas e organizar as falas para construir uma narrativa são práticas comuns na produção de documentários.

Netflix usa o passado de Tyra como argumento: A defesa também lembra que a apresentadora criou, apresentou e produziu 24 temporadas de America’s Next Top Model. Durante esse período, ela própria participou de decisões editoriais sobre quais imagens seriam exibidas ou cortadas e como as histórias dos participantes seriam apresentadas.

“[Banks] criou, apresentou e produziu 24 temporadas de ANTM, tomando o mesmo tipo de decisões editoriais que ela agora critica; como quais vídeos incluir, o que omitir, e como apresentar as narrativas. O documentário apenas voltou as lentes para ela e ANTM. A insatisfação dela com o resultado não o torna difamatório”, argumentou a defesa da Netflix.

Advogado de Tyra rebate: Tom Clare, que representa a apresentadora, afirma que o processo não questiona o fato de documentários precisarem ser editados. Para ele, a discussão é se os cortes feitos pela produção alteraram o significado do que Tyra realmente falou.

  • “Ninguém está questionando que documentários são editados. A questão é se essas edições distorcem a verdade. Isso não é sobre a Tyra estar insatisfeita com uma edição, nem sobre querer controle criativo. É sobre questionar se o público está recebendo uma representação precisa das suas palavras e fatos”, declarou.

Defesa quer entrevista completa divulgada: O advogado também desafiou a Netflix a tornar pública a gravação integral da entrevista de Tyra. Segundo ele, isso permitiria comparar diretamente o que a apresentadora disse com os trechos escolhidos para aparecer no documentário.

  • “Se a Netflix confirma a veracidade do seu documentário, então deveria divulgar a entrevista completa e deixar o público julgar. Deixe o público comparar o que a Tyra realmente disse com o que a Netflix escolheu mostrar. Fatos são fatos e, aqui, os fatos foram gravados e escondidos pela Netflix”, afirmou Clare.

O que acontece agora: A Justiça deverá analisar o pedido da Netflix e decidir se o processo de difamação apresentado por Tyra Banks continuará ou será rejeitado.