Lanternas, série que reúne Hal Jordan (Kyle Chandler) e John Stewart (Aaron Pierre) numa investigação que mistura mistério policial e ficção científica, estreou trazendo bem mais complexidade do que uma simples aventura espacial, e escondeu diversas referências e ganchos, confira.

Uma estrutura em três tempos: O piloto não segue uma linha do tempo única. A trama alterna entre 1996, quando um jovem John Stewart cresce sob a rígida disciplina do pai, que parece prepará-lo desde cedo para se tornar um Lanterna Verde; 2016, o núcleo principal da história, quando Hal já treina John há apenas dois meses e o leva a Rushville, Nebraska, para investigar um tiroteio em massa num jogo de futebol americano; e 2026, o salto final que muda tudo.

O gancho do final: Hal Jordan está morto? O maior choque do episódio fica guardado para os minutos finais. Em 2026, um John Stewart mais velho retorna a Rushville a pedido da xerife local, Kerry (Kelly Macdonald), e os dois sobem até a arquibancada nevada do mesmo estádio onde tudo começou dez anos antes. Lá, encontram Hal Jordan aparentemente sem vida, coberto de neve, com um ferimento de bala na cabeça, e o detalhe mais importante, sem o anel de Lanterna Verde. A cena não oferece contexto algum, deixando em aberto duas perguntas centrais que devem guiar o restante da temporada: quem matou o primeiro Lanterna Verde da Terra, e quem está com o anel dele agora.

A origem de John Stewart: O episódio marca a estreia histórica de John Stewart em live-action. O personagem surgiu nos quadrinhos apenas em 1971, na Green Lantern #87, se tornando um dos Lanternas mais populares da DC, especialmente após ganhar destaque nas animações da Liga da Justiça. A relação um pouco tensa entre o veterano Hal e o novato John também não é invenção da série: já existia nos quadrinhos.

Referências ao Setor 2814 e Abin Sur: A série recupera território familiar para os fãs de HQ: o Setor 2814, região do espaço onde fica a Terra dentro da divisão da Tropa dos Lanternas Verdes, historicamente protegida por Hal, John, Guy Gardner e outros lanternas humanos. No episódio, Hal relembra como recebeu o anel após a morte de Abin Sur, o lanterna responsável pelo setor antes dele, mantendo a origem clássica do personagem.

O “Halograma” e a tecnologia dos anéis: Um dos elementos mais estranhos do episódio está escondido dentro do próprio anel: o chamado Halograma, uma espécie de consciência de Hal Jordan armazenada na tecnologia dos Lanternas. Todo membro da tropa precisa fazer backups frequentes de memória através do anel, um detalhe que pode ganhar peso extra diante da morte (ou suposta morte) do personagem.

Por que Hal quase nunca usa o uniforme? O episódio também resolve uma dúvida que já circulava desde as primeiras imagens divulgadas: por que o Hal Jordan de Kyle Chandler aparece tão pouco fardado? Em cena, o próprio personagem explica que só veste o uniforme em ocasiões especiais. A resposta muda uma regra consolidada dos quadrinhos, no DCU, o traje é uma roupa física real, e não uma manifestação de energia criada pelo anel, como era o caso do visual inteiramente digital de Ryan Reynolds no filme de 2011.

Elenco e universo em expansão: Também vale destacar o elenco de apoio: Garrett Dillahunt, Kelly Macdonald, Cary Christopher e Paula Patton completam o time principal, enquanto Ulrich Thomsen interpretará o vilão Sinestro. No primeiro episódio a série já se conecta diretamente com o restante do novo DCU: Nathan Fillion, que vive Guy Gardner em Superman, também aparece em Lanternas, reforçando os laços entre as produções do capítulo “Deuses e Monstros”. Com oito episódios confirmados e uma escrita assinada por Damon Lindelof, Chris Mundy e Tom King, Lanternas já deixou claro que pretende ser mais investigação policial do que space opera, sem abrir mão no entanto, das referências que os fãs de longa data vão reconhecer.