As crianças estão perdendo espaço na programação da TV aberta brasileira. Em dez anos, o tempo dedicado diariamente a atrações infantis caiu quase 30% nas principais emissoras do país, segundo levantamento envolvendo TV Globo, Record TV, SBT, Band, TV Cultura e RedeTV!. Em 2003, as emissoras exibiam juntas 23 horas e 50 minutos de programação infantil por dia. Dez anos depois, esse número caiu para 17 horas e 10 minutos.

Queda foi ainda maior nas emissoras comerciais: Sem contar a TV Cultura, a redução chegou a 53%, deixando apenas seis horas e meia diárias voltadas às crianças.

Globo e Record abandonaram a faixa infantil diária: As duas emissoras retiraram da grade os programas infantis exibidos de segunda a sexta-feira e passaram a concentrar esse tipo de conteúdo apenas nos fins de semana.

Mudanças na Globo: A emissora trocou a TV Globinho pelos programas Bem Estar e Encontro com Fátima Bernardes.

SBT ainda resiste: Mesmo reduzindo quase metade de sua programação infantil em dez anos, o SBT continua sendo a emissora comercial com maior espaço para atrações voltadas às crianças. A novela Chiquititas mantinha boa audiência na época.

Publicidade virou problema: Especialistas apontam que as restrições do Conar à publicidade infantil afetaram diretamente a viabilidade comercial desses programas.

  • “Com essa fiscalização mais efetiva, a falta de anúncios leva até a extinção da programação infantil na TV aberta”, afirmou a advogada Ekaterine Karageorgiadis, do Instituto Alana.

TV paga virou destino das crianças: Enquanto a programação infantil diminuía na TV aberta, os canais infantis da TV por assinatura cresceram de seis para 16 em dez anos.

Globo investiu no Gloob: Percebendo essa migração do público, a Globo lançou o canal pago Gloob em 2012.

Crianças continuam vendo muita TV: Mesmo com menos conteúdo infantil na TV aberta, o tempo das crianças diante da televisão aumentou. Segundo dados do Ibope, elas passaram a assistir mais de cinco horas de TV por dia em média.

Problema afeta regiões mais pobres: Apesar do crescimento da TV por assinatura, o serviço ainda tinha baixa presença em boa parte do Brasil, deixando milhões de crianças dependentes da programação aberta.

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