A arte maranhense ocupa um dos principais centros culturais do país a partir desta quarta-feira (4). O Centro Cultural Banco do Brasil Belo Horizonte (CCBB BH) recebe a exposição “Marlene Barros: tecitura do feminino”, que reúne 13 obras em escultura, crochê e bordado da artista nascida em Bacurituba. Em cartaz até 1º de junho, a mostra transforma o gesto de costurar em narrativa de resistência e reflexão sobre o apagamento histórico das mulheres na arte.
O que a exposição propõe: Com curadoria de Betânia Pinheiro, a mostra parte da pesquisa de mestrado da artista na Universidade de Aveiro, em Portugal, onde Marlene começou a “remendar fissuras do tempo” ao costurar uma casa em ruínas. O gesto tornou-se metáfora do corpo feminino e de sua histórica desvalorização.
As obras em destaque: Entre os trabalhos apresentados estão “Eu tenho a tua cara”, com 49 rostos de mulheres com olhos e bocas trocados, e “Coso porque está roto”, um casaco cujo avesso revela órgãos bordados que representam sentimentos. A instalação “Entre nós” convida o público a mergulhar em objetos de crochê, refletindo sobre atividades historicamente impostas às mulheres.
Corpo, padrão e coisificação: A exposição questiona como o corpo feminino foi reduzido à obrigação de ser belo e classificado conforme padrões colonizados. Marlene problematiza a submissão ao espaço doméstico e as limitações enfrentadas pelas mulheres em sua ascensão profissional, especialmente no campo das artes.
Ações formativas gratuitas: A programação inclui visita mediada com a artista e a curadora no dia 7 de março, palestra no Dia Internacional da Mulher (8) e a oficina “Arpilleras de si”, que propõe a criação de uma obra-instalação coletiva a partir do bordado livre como expressão de memórias e vivências femininas.
A fala da artista: “Durante séculos, mãos femininas bordaram silêncios, costuraram ausências e coseram memórias em linhas quase invisíveis. Neste projeto, agulha e linha tornam-se instrumentos de denúncia e elaboração simbólica”, afirma Marlene Barros, que há mais de quatro décadas atua na cena artística maranhense à frente do Ateliê Marlene Barros e do Coletivo ZBM.
“A arte tem um papel fundamental porque cria espaços de escuta, questionamento e deslocamento de perspectivas. Ao mobilizar emoções, ela rompe a indiferença”, defende a artista sobre o potencial transformador da exposição.
A mostra ocupa as galerias do térreo do CCBB BH de quarta a segunda, das 10h às 22h, com ingressos gratuitos disponíveis no site e na bilheteria. A realização é do Centro Cultural Banco do Brasil, com patrocínio do Banco do Brasil e apoio das leis de incentivo à cultura.