Quarteto Fantástico dá primeiros passos em novo mundo para heróis; leia a crítica
Imagina a pressão de Quarteto Fantástico: Primeiros Passos. A estreia nos cinemas veio com o desafio de não só ser um filme legal, mas interessante o suficiente para revitalizar o Universo...
Imagina a pressão de Quarteto Fantástico: Primeiros Passos. A estreia nos cinemas veio com o desafio de não só ser um filme legal, mas interessante o suficiente para revitalizar o Universo Cinematográfico Marvel. Ou seja, grande missão dentro e fora das telas.
Depois de quatro tentativas anteriores, dessa vez, sob tutela da Disney, Quarteto Fantástico aposta no carisma do elenco formado por Pedro Pascal, Vanessa Kirby, Joseph Quinn e Ebon Moss-Bachrach que trazem, sim, desempenhos muito bem-vindos e com grande potencial futuro. Há uma aposta nas relações interpessoais do grupo em uma história autocontida, sem depender do restante do universo Marvel.
Um dos pontos altos é a direção de arte. Há algo ali que mistura o futurismo retrô de Os Jetsons com o estilo sofisticado de Mad Men. A Marvel conseguiu criar um universo estilizado e coeso, que agrega personalidade ao filme. Um requinte visual que nem sempre se estende aos efeitos especiais, principalmente nas cenas envolvendo os poderes do Senhor Fantástico e de Franklin Richards.
Outro ponto que me chamou atenção foi a quantidade de elipses narrativas, que são aquelas passagens que pulam etapas da história e aceleram o ritmo. Um recurso muito usado em Wandavision, do qual Matt Shakman também foi diretor.
Na construção dos personagens, Sue Storm se destaca com um arco mais claro e consistente. É a única do grupo que, de fato, evolui ao longo do filme. A falta de conflitos internos e consequências faz os outros três protagonistas permanecem quase sem progressão do início ao fim.
As motivações também merecem menção. Do lado do vilão, que é o principal motor de um filme do segmento, Galactus representa uma ameaça genérica, cuja motivação se resume a fazer o mal porque pode. Não há esforço do roteiro em dar a ele alguma complexidade ou ponto de vista distorcido, o que enfraquece o antagonismo. Do lado dos heróis, a motivação é a de vítimas tentando sobreviver. Há um conflito interno envolvendo o sacrifício do filho da família, mas tudo se desenvolve muito sem muito drama.
No fim das contas, o filme acerta em criar uma nova atmosfera para o Quarteto, mas parece hesitar quando o assunto é transformar seus personagens. A sensação é a de que os ingredientes estão todos ali, com elenco afiado, universo visual marcante, uma boa ideia central, mas o desenvolvimento segue caminhos fáceis demais. O elenco é tão bom que temos receio de admitir que o roteiro poderia ter sido melhor. Ainda assim, vale prestar atenção no que essa nova fase promete ser. Nem todo recomeço precisa ser explosivo para dar certo. Às vezes, basta dar os primeiros passos.


